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Aquele objeto especial…

Uma foto...uma história!

por C.C., em 08.06.20

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Tenho tendência para não valorizar as coisas, simplesmente porque são apenas isso, “coisas”. Também não gosto de acumular objetos que (já) não servem para nada, pois acredito que o seu valor está diretamente ligado à sua utilidade. Se uma peça é inútil, não desempenhando qualquer papel estético, funcional ou emocional, então não tem valor e deixa de ter lugar no meu espaço.

Assim, afeiçoo-me muito pouco aos objetos, mesmo que estejam associados a alguém especial ou a um evento marcante. Por isso, no imediato, o tema Aquele objeto especial… proposto pelo nosso querido C.C. quando me desafiou para participar na sua rubrica partilhada “Uma foto...uma história!”, deixou-me esmorecida… Tantos temas interessantes e havia logo de me calhar falar de uma “coisa”.

Mas, a verdade é que todas as regras têm uma exceção, e entre as tralhas cá de casa lá se destacou o tal “objeto especial”. Afinal, até nem demorei assim tanto a encontrá-lo, bastou olhar à minha volta… lá estava ela, sorridente como no dia em que a conheci, a minha mandala em tons de fogo.

Esta mandala é especial desde o seu nascimento… Foi pintada por uma amiga de infância, que a partilhou na sua página de Facebook. Foi paixão à primeira vista. Tratei logo de a reservar para mim, mas a minha amiga disse-me que não estava pronta, que todos aqueles espaços em branco seriam preenchidos em tons de verde, azul e violeta… Para mim estava perfeita tal e qual, mas não argumentei, ela é que era a artista. Fiquei a aguardar ansiosamente pelo resultado final. Uns dias mais tarde, a minha amiga telefonou para me perguntar se eu gostava mesmo dela assim, inacabada, com todos aqueles brancos, pois deparara-se com um problema… não conseguia visualizar os restantes tons na obra. Não conseguia decidir como distribuir os tais verdes, azuis e violetas 😊 e encontrava-se num impasse. Não preciso de vos dizer qual foi a minha resposta. Lá veio ela então, assim tão perfeitamente inacabada, para o meu quarto, ganhando um lugar de destaque à minha cabeceira.

Contudo, não é só por isso que é especial, esta mandala foi o primeiro objeto que ofereci a mim própria quando me separei. Foi também o único objeto de decoração de paredes que desencaixotei quando mudei de casa após o divórcio.

Estou há mais de quatro anos a viver numa casa alugada onde me sinto de passagem desde o início, por isso nunca pendurei quaisquer quadros nas paredes, que se mantêm imaculadamente brancas, como os brancos da minha mandala.

Vejo-a assim que entro em casa, dando as boas-vindas aos visitantes, repousando orgulhosamente sobre uma arca de madeira visível da porta da entrada.

Sei que me acompanhará o resto da minha vida. Irá na minha bagagem para onde quer que seja e agrada-me pensar que irá ao meu colo para o crematório… 😊 É o meu objeto especial, tudo o resto são só “coisas”.

Isa Nascimento

publicado às 07:11


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